quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Cuidado e manutenção das Bonecas

Qualquer modelo de boneca, recomendo a seguinte sugestão:


1- Se houver necessidade, lavar com água e sabão neutro. 


2- Deixar secar bem e se possível, em área de grande ventilação. 

3- Recomendo a lavagem nos dias quentes ou ensolarados.

4- Todo brinquedo ou Bonecas de pano confeccionados com materiais naturais precisam ser expostos ao sol frequentemente.

5- Não recomendo a máquina de lavar, embora existam experiências que deram certo.



Bebê Estrela:



1- Entre as perninhas, existe uma abertura destinada à manutenção (já deixo um pontinho visível para esse fim) e retirada a lã do enchimento.


2- Ao retirar a lã dos braços e das pernas, lavar com água e sabão neutro, ou o mesmo sabão que é utilizado nas roupas e fraldas da criança. 


3- Lavar o corpo (a flanela), cabecinha e os membros.


4- Retirar toda a água e sabão se for utilizado.


5- Deixar secar em área de grande ventilação.


6- Quando tiver totalmente seco, colocar a lã de volta no bebê e fechar com pontinhos à mão. Se a lã estiver "grudada", experimente cardá-la novamente e se não for possível, coloque novo enchimento de lã ou até mesmo o algodão.
















A Boneca como espelho da criança...

Recomendações importantes



No brincar a criança imita o mundo, não só as relações com a natureza como também os hábitos e atitudes dos adultos. Muito dependerá para o ser adulto de como ele, na sua evolução, aprendeu a se relacionar com a natureza. Dependerá mais ainda de como ele aprendeu a se compreender como ser humano.


A Boneca na mão de uma criança é para esta um espelho de seu ser e de sua situação evolutiva. A ela recai grande importância, pois tudo nela, mesmo o não pensado, tem a sua atuação que somente se revelará no adulto maduro.

Uma boneca elaborada a partir dos conhecimentos básicos do ser humano, transmite a criança a vivência do seu ser. Toda boneca que distorcer ou esconder esta tendência básica, traz confusão para a criança em relação a si própria.

0 a 3 anos:


Ao recém-nascido basta somente uma boneca onde o principal seja a cabeça redonda e dura e com isto revele sua característica básica. O corpo apenas sugere braços e pernas. Nessa idade os membros ainda não tem autodeterminação. Eles ainda não carregam o corpo e nem cuidam de seu destino ou vão de encontro as relações humanas. Eles ainda não trabalham nem atuam no mundo. Não é necessário colocar olhinhos ou boca nesta boneca. Por outro lado, apesar da simplicidade da elaboração desta, deitada na caminha ao lado da criança serve como companheiro, como "tu". Ela não está sozinha mesmo quando não há nenhum membro da família no seu quarto.




Por volta do 3º ano de vida:



Assim que a criança aprende a se levantar e a andar, a sua situação corpórea se modifica profundamente. As pernas se tornam apoio, pilastras móveis de sustentação de seu corpo. A criança consegue retirar o seu corpo da férrea lei da gravidade e a partir daí, e por todos os seus dias na Terra, ela tem os seus braços livres para o atuar humano. A cabeça continua igual e pode como a própria criança ganhar cabelos. O corpo é elaborado de maneira simples e os braços e as pernas se tornam visíveis na sua função. A partir deste instante, se tornam importantes as proporções humanas. Um rostinho de boneca totalmente estruturado, assim como a forma dos cabelos ou o penteado estabelece uma impressão fixa na criança, sempre triste ou sempre alegre ou indiferente. Se a boca e os olhos são apenas sugeridos, do mesmo modo o cabelo ou o penteado, a fantasia da criança pode complementar o resto, pois aí ela terá espaço livre para permitir que sua boneca ria, chore ou seja, engraçada, ou fazer o penteado desejado, dependendo de como está a situação da própria criança. A boneca também recebe vestimentas. Quando está frio nos agasalhamos, para andar na rua, são necessários sapatos. A criança deve vivenciar com sua boneca também este tipo de experiência.
 




A Boneca, por Rudolf Steiner

  Pode-se fazer para uma criança uma boneca com um guardanapo dobrado: duas pontas serão os braços, as outras duas as pernas, um nó servirá para a cabeça na qual algumas manchas de tinta indicam os olhos, o nariz e a boca. Também se pode comprar uma “linda” boneca, com cabelos genuínos e bochechas pintadas, e dá-la à criança. Nem queremos insistir no aspecto horrível dessa boneca, perfeitamente capaz de estragar para sempre o sentido estético sadio. Com efeito, o problema educacional mais importante é outro. Tendo à frente o guardanapo dobrado, a criança deve acrescentar, pela fantasia, aquilo que o transforma em figura humana. Essa atividade da fantasia tem efeito plasmador sobre as formas do cérebro. Este se “abre” da mesma maneira como os músculos da mão se deixam permear por uma atividade conveniente. Se a criança ganha a chamada “linda boneca”, nada resta ao cérebro para fazer, e este se atrofia e resseca em vez de desabrochar. Se os pais pudessem olhar, como pode fazê-lo o pesquisador espiritual, para dentro do cérebro empenhado em estruturar suas próprias formas, com toda certeza só dariam a seus filhos brinquedos suscetíveis de avivar as forças plasmadoras do cérebro. Todos os brinquedos que possuem apenas formas mortas e matemáticas ressecam e destróem as forças plasmadoras da criança, enquanto tudo que faz surgir a ideia da vida atua de maneira sadia. A nossa época materialista produz poucos bons brinquedos.
Fonte: GA 34 (A), p. 22 da 2a. edição.

  Obs.: Steiner provavelmente se referia como “linda boneca” a uma de louça, ou de um material parecido com a borracha, pois não havia bonecas de plástico em sua época (estas surgiram vários anos depois da 2ª Guerra). Naturalmente, suas considerações aplicam-se também às últimas. Muito piores ainda são brinquedos modernos como trens e carrinhos elétricos, robôs, video games etc.

  Permitam-me dizer algo bastante herético: adora-se dar bonecas na mão das crianças, especialmente bonecas “lindas”. Não se nota que as crianças em realidade não querem isso. Elas as rejeitam, mas elas são impingidas. Lindas bonecas, pintadas! Muito melhor é dar às crianças um lenço ou, quando é pena estragar um, dar outra coisa; ajeita-se um pano faz-se aqui uma cabeça, pinta-se um nariz, dois olhos etc., e com isso crianças sadias brincam com muito mais gosto do que com bonecas “lindas”, pois a boneca configurada o mais bonito possível, até com bochechas vermelhas, não deixa sobrar nada para a fantasia. A criança resseca interiormente com a boneca linda.
Fonte: GA 305, palestra de 23/8/1922